Agronegócios
Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.
A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.
O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.
Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.
No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.
A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.
O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.
Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.
O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.
Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.
Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.
É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.
A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.
Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.
A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.
Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.
A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.
O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.
Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.
A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.
Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.
“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.
Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.
Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.
Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.
Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.
As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.
Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.
Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.
A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.
A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.
Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Agro supera R$ 200 bilhões e bate recorde com força de grãos e proteínas
O campo paranaense produziu uma riqueza recorde de R$ 213 bilhões em 2025, impulsionado por uma combinação que poucos Estados conseguem reunir na mesma escala: grandes safras de soja e milho e algumas das maiores cadeias de produção animal do País. O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) cresceu 13% em relação aos R$ 188,3 bilhões de 2024 e, descontada a inflação, avançou 9%.
O resultado ganha dimensão quando comparado ao de São Paulo, maior economia brasileira e outra potência do agronegócio. O Valor da Produção Agropecuária (VPA) paulista ficou em R$ 174,6 bilhões em 2025 e apresentou retração real de 0,8%. As metodologias dos dois levantamentos não são exatamente iguais — o Paraná contabiliza cerca de 350 produtos e São Paulo, 52 —, mas a comparação ajuda a mostrar o tamanho alcançado pela produção rural paranaense.
Os dados do Paraná são da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e do Departamento de Economia Rural (Deral). O levantamento considera desde as grandes commodities até pecuária, frutas, hortaliças, produtos florestais, pesca e outras atividades desenvolvidas nos municípios.
O crescimento de 2025 não veio apenas dos preços. A recuperação das lavouras teve papel decisivo. A produção de soja passou de 18,8 milhões para 21,4 milhões de toneladas, enquanto a colheita de milho chegou a aproximadamente 21 milhões de toneladas depois de ficar perto de 16 milhões no ano anterior.
A soja, sozinha, gerou R$ 42,3 bilhões, quase um quinto de todo o valor produzido pelo agro estadual. O milho movimentou R$ 19,1 bilhões, aumento de aproximadamente 35% em um ano.
Mas é a produção animal que diferencia a composição do agro paranaense. Pelo quarto ano consecutivo, a pecuária respondeu por mais da metade do VBP. Foram R$ 112,1 bilhões, ou 53% do total, diante de R$ 91,2 bilhões provenientes da agricultura.
A avicultura é o principal exemplo. Apenas o frango de corte movimentou R$ 35,5 bilhões. Quando são considerados também ovos e outras atividades da cadeia, o valor chegou a R$ 52,5 bilhões.
A força econômica acompanha a escala produtiva. O Paraná encerrou 2025 com recordes na produção de frangos, suínos, bovinos, leite e ovos. Na produção de leite, por exemplo, respondeu por 15,6% do total nacional, atrás apenas de Minas Gerais. Na produção de ovos, ficou em terceiro lugar no País.
Bovinos acrescentaram outros R$ 19,4 bilhões ao valor da produção estadual. O leite respondeu por R$ 12,8 bilhões e a suinocultura de corte, por R$ 9,6 bilhões.
Essa distribuição ajuda a explicar por que o Paraná conseguiu avançar mesmo em um período de resultados desiguais entre as commodities. Quando uma cadeia enfrenta preços menores ou problemas de produção, outras atividades podem compensar parte das perdas.
É uma estrutura diferente, por exemplo, da encontrada em São Paulo. No Estado vizinho, cana-de-açúcar, carne bovina, frango, laranja destinada à indústria e café responderam juntos por 67,2% do valor da produção em 2025. Só a cana movimentou R$ 53,8 bilhões.
No Paraná, a soja é o maior produto individual, mas representa cerca de 20% do VBP. O restante está espalhado por uma combinação extensa de grãos, proteínas animais, leite, produtos florestais, frutas e hortaliças.
O avanço também aparece quando a comparação é feita com o próprio Paraná de poucos anos atrás. Em 2019, o VBP estadual estava em R$ 98 bilhões. Em 2025, chegou a aproximadamente R$ 213 bilhões, mais que o dobro em seis anos em valores nominais.
Para o produtor, porém, recorde de VBP não significa necessariamente recorde de renda. O indicador calcula o valor daquilo que saiu das propriedades a partir da quantidade produzida e dos preços recebidos, mas não desconta fertilizantes, sementes, defensivos, ração, mão de obra, energia, juros e demais custos.
O número mostra, sobretudo, a dimensão que a atividade alcançou. Em 2025, cada aumento de 1% no valor da produção agropecuária paranaense passou a representar mais de R$ 2 bilhões. E, diferentemente de Estados fortemente dependentes de uma ou duas commodities, o recorde paranaense foi construído simultaneamente nas lavouras e nos criatórios.
Fonte: Pensar Agro
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