Agronegócios
ITR 2026: produtor tem até quarta-feira para declarar ITR e evitar multa
Proprietários e possuidores de imóveis rurais têm até as 23h59min59s desta quarta-feira (30) para apresentar a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) de 2026. A entrega depois do prazo gera multa mínima de R$ 50.
A declaração é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas que sejam proprietárias, titulares do domínio útil ou possuidoras de imóveis rurais. As exceções são os imóveis alcançados pelas regras de imunidade ou isenção tributária.
Neste ano, o contribuinte pode escolher entre duas formas de envio. A DITR pode ser preenchida no serviço Minhas Declarações do ITR, dentro do Portal de Serviços da Receita Federal, ou no Programa Gerador da Declaração, o PGD ITR 2026, versão 1.2.
A possibilidade de utilizar o programa foi ampliada pela Receita Federal em 21 de setembro. Antes da atualização, pessoas jurídicas e pessoas físicas com propriedades superiores a 100 hectares deveriam obrigatoriamente usar o sistema pela internet. Agora, todos os contribuintes podem escolher um dos dois canais.
Para acessar o Minhas Declarações do ITR, é necessário ter uma conta gov.br de nível Prata ou Ouro. O ambiente reúne o preenchimento, o envio, os recibos e eventuais declarações retificadoras. Também permite recuperar dados cadastrais e consultar informações de diferentes imóveis vinculados ao mesmo contribuinte.
O imposto pode ser dividido em até quatro parcelas mensais, desde que nenhuma seja inferior a R$ 50. Se o valor apurado for menor que R$ 100, o pagamento deverá ser feito de uma só vez. A quota única ou a primeira parcela também vence na quarta-feira.
A multa pela entrega fora do prazo corresponde a 1% por mês ou fração de atraso, calculada sobre o imposto devido. Mesmo quando esse cálculo resultar em valor menor, a cobrança mínima será de R$ 50.
O produtor que encontrar erro depois de transmitir a declaração poderá enviar uma retificadora. O novo documento substituirá integralmente o anterior, desde que a Receita ainda não tenha iniciado uma fiscalização ou o lançamento de ofício.
Antes do envio, é importante conferir os dados do contribuinte e do imóvel, a área informada, o valor da terra nua e os elementos utilizados no cálculo do imposto. Divergências nessas informações podem alterar o valor devido e levar a declaração para análise fiscal.
A DITR deve ser enviada até as 23h59min59s de 30 de setembro, pelo horário de Brasília. O acesso ao sistema pela internet e o download do PGD ITR 2026 estão disponíveis nos canais de atendimento da Receita Federal.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Bezerro exige 9,7 arrobas e impõe pior troca ao pecuarista desde 2021
A compra de um bezerro passou a consumir o equivalente a 9,7 arrobas de boi gordo em setembro, reduzindo o poder de compra do pecuarista que precisa repor os animais destinados à engorda. É a relação de troca mais desfavorável desde outubro de 2021, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq-USP).
O cálculo considera a média dos indicadores até 22 de setembro. De um lado está o boi gordo negociado em São Paulo, com preço médio de R$ 350,30 por arroba. Do outro, o bezerro nelore de oito a 12 meses comercializado em Mato Grosso do Sul, cotado em R$ 3.399,04 por cabeça.
Os dois mercados se valorizaram no último ano, mas em velocidades diferentes. O preço real do boi gordo subiu 11,3% em relação a setembro de 2025, enquanto o bezerro avançou 13,6%. Os valores foram corrigidos pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de agosto.
Essa diferença tornou a reposição mais cara mesmo com a recuperação da arroba. Em setembro do ano passado, a compra de um bezerro exigia 9,51 arrobas de boi gordo. Em setembro de 2024, eram necessárias 8,21 arrobas.
O patamar atual só fica abaixo do registrado em outubro de 2021, quando o pecuarista precisava destinar 10,27 arrobas para adquirir um animal de reposição. A média de 2026 está em 9,62 arrobas, também acima da média histórica de 7,90 arrobas registrada na série do Cepea iniciada em fevereiro de 2000.
A relação de troca mostra quanto da receita obtida com a venda do gado terminado precisa ser comprometida na compra do animal jovem. Quanto maior a quantidade de arrobas exigida, menor é a parcela que permanece disponível para cobrir alimentação, sanidade, mão de obra, transporte, financiamento e os demais custos da engorda.
A pressão recai principalmente sobre o pecuarista que não produz os próprios bezerros e depende do mercado para formar novos lotes. Nesse sistema, a reposição representa uma das principais despesas e pode definir a rentabilidade da operação meses antes da venda do boi terminado.
Desde janeiro, a arroba paulista acumula valorização real de 7,2%. O bezerro sul-mato-grossense subiu 8,3% no mesmo intervalo. A oferta restrita de bovinos prontos para o abate sustentou o boi gordo, mas a menor disponibilidade de animais jovens e a demanda pela reposição deram mais força às cotações da cria.
A valorização do bezerro favorece o criador que comercializa animais jovens, mas aumenta o capital necessário para recriadores e terminadores recomporem o rebanho. O resultado econômico dependerá da capacidade de ganho de peso, do custo da alimentação e do preço obtido pelo boi gordo ao final do ciclo.
Com a reposição no nível mais caro em quase cinco anos, a alta da arroba já não garante, isoladamente, melhora de margem. Para o terminador, o resultado passa a depender cada vez mais da eficiência da engorda e do momento escolhido para comprar e vender os animais.
Os valores são parciais e ainda podem mudar até o fechamento de setembro.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
UFMT abre debate sobre conflitos ligados à expansão do agronegócio
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) inicia nesta segunda-feira (28), em Cuiabá, a segunda edição do projeto de extensão “Expansão do Agronegócio e Conflitos Socioambientais”. A programação prossegue até quinta-feira (1º) com debates, apresentações de pesquisas e lançamentos de publicações.
O encontro será realizado no Instituto de Geografia, História e Documentação (IGHD) e reunirá pesquisadores, estudantes, representantes de povos indígenas, movimentos sociais, instituições públicas e organizações da sociedade civil.
Segundo a programação, os debates abordarão os efeitos sociais, ambientais e territoriais associados ao avanço das atividades agropecuárias em Mato Grosso. Entre os temas previstos estão saúde do trabalhador, uso de defensivos agrícolas, disputas territoriais, direitos de comunidades tradicionais, agroecologia e bioeconomia.
A abertura será às 19h desta segunda-feira, no auditório do IGHD. Depois de uma apresentação artística, a primeira mesa discutirá os diferentes discursos construídos em torno do agronegócio e terá a participação de pesquisadores ligados à UFMT e a outras instituições de ensino.
Na terça-feira (29), o encontro discutirá as possíveis relações entre a expansão das atividades agropecuárias e os efeitos sobre a saúde. Na quarta-feira (30), o debate será dedicado à bioeconomia e à agroecologia. O encerramento das mesas ocorrerá na quinta-feira, com uma discussão sobre conflitos socioambientais e povos indígenas.
Além dos painéis, estudantes apresentarão pesquisas entre 13h30 e 18h no Bloco Didático do IGHD e do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS). Os trabalhos estão divididos em três eixos: impactos psicossociais, formas de resistência aos conflitos socioambientais e efeitos dos defensivos agrícolas sobre a saúde e o meio ambiente.
A programação inclui o lançamento de livros e relatórios relacionados a direitos territoriais e povos indígenas. Entre as obras previstas estão “Direito ao espaço memorial Bóe-Bororo” e “Refúgios: Demarcação de terras de povos indígenas isolados no Brasil”.
Na quinta-feira, às 19h, está previsto o lançamento do “Relatório de Violência contra os Povos Indígenas 2025”, produzido pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
O projeto é promovido pelo IGHD em parceria com grupos e núcleos de pesquisa da UFMT e da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR). Também participam pesquisadores de outras universidades, organizações indígenas, movimentos sociais e instituições voltadas aos direitos humanos.
O evento começa nesta segunda-feira, às 19h, no auditório do Instituto de Geografia, História e Documentação da UFMT, no câmpus de Cuiabá. As atividades seguem até 1º de outubro.
Fonte: Pensar Agro
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