Mato Grosso do Sul
Qualificação do Senai abre caminho para mulheres retomarem carreira na indústria
Apesar dos avanços tecnológicos e das mudanças na legislação, conciliar maternidade e carreira ainda é um desafio para muitas mulheres. Em alguns casos, é preciso interromper a vida profissional para cuidar dos filhos. Nesse cenário, a alta demanda por mão de obra na indústria de Mato Grosso do Sul tem se tornado uma oportunidade de recomeço.
Antes de ingressar no curso técnico de papel e celulose do programa “Abrace este Projeto”, parceria entre Senai e Arauco em Três Lagoas, a dona de casa Andréia Cristina Clemente Souza, de 52 anos, já convivia de perto com a indústria. Casada com um profissional com mais de 30 anos de carreira no setor, criou três filhos que seguiram o mesmo caminho.

Natural de Ribeirão Preto (SP), Andréia se mudou para Mato Grosso do Sul por causa do trabalho do marido. Depois, a família viveu no Maranhão e agora retorna a Três Lagoas, novamente por conta das oportunidades no setor de celulose.
Durante anos, enquanto o marido trabalhava, ela se dedicou à casa e à criação dos filhos. “Durante muito tempo fui dona de casa e motorista oficial da família. Fiz de tudo até os meninos andarem com as próprias pernas. Eu era uma mãe muito protetora; agora aprendi a ser mais leve e quero experimentar outras possibilidades”, conta.
Com os filhos já adultos, entre 23 e 30 anos, Andréia decidiu retomar um projeto pessoal. Ao longo da vida, chegou a fazer curso técnico em contabilidade, teve experiências em recursos humanos e chegou a ser aprovada no vestibular da Fuvest para Engenharia Elétrica, mas abriu mão dessas oportunidades por causa das demandas familiares e da falta de rede de apoio.
“Eu tinha uma frustração de não ter feito alguma coisa por mim”, admite.
A decisão de voltar a estudar veio com a oferta de mais de 500 vagas gratuitas em cursos técnicos em Três Lagoas, Paranaíba e Inocência, regiões que recebem novos investimentos industriais. As formações são oferecidas em período integral e noturno, com bolsas mensais de até R$ 1.500, em áreas como automação, eletrotécnica, logística, mecânica e química.
Mesmo motivada, Andréia tinha receio de enfrentar situações de etarismo em sala de aula. “Achei que ficaria meio de lado, mas a turma acabou sendo muito acolhedora.”
Agora, a cada etapa concluída, ela se aproxima do objetivo de iniciar uma carreira na indústria. “É algo que desejo muito realizar e não vou abrir mão por nada no mundo”, afirma.
Esperança para mães atípicas
As oportunidades de qualificação também representam uma chance de recomeço para mulheres que enfrentam desafios adicionais no cuidado com os filhos.
Moradora de Água Clara, Laura Ivanir Costa dos Santos, de 35 anos, participou do programa “Mulheres que Resolvem”, que levou cursos gratuitos do Senai ao município por meio de uma carreta-escola. Ao longo de 2025, foram oferecidas formações em elétrica, hidráulica, pintura e mecânica.

Mãe de três filhos, de 3, 9 e 11 anos — dois deles autistas —, Laura encontrou na qualificação uma possibilidade de retomar o sonho de construir uma carreira.
Ao longo da vida, tentou conciliar trabalho e cuidados com os filhos. Já trabalhou em fazenda e em mercado, mas a rotina mudou após o diagnóstico do filho mais velho.
“Troquei doze vezes de babá em oito meses, porque ninguém queria ficar com ele. Passei por vários médicos até que foi constatado o autismo”, relembra.
Anos depois, uma nova tentativa de retomar os estudos também precisou ser interrompida. Laura chegou a cursar um ano de Biologia, mas engravidou da terceira filha, que também é autista, e precisou novamente se dedicar integralmente à família.
Agora formada nos cursos de alvenaria e mecânica, ela vê na qualificação uma porta para voltar ao mercado de trabalho.
“No momento eu não trabalho, mas tenho vontade de voltar. As qualificações do Senai trazem esperança de recomeçar. Muitas mães atípicas acabam parando no tempo e perdendo oportunidades. O curso traz peso para o currículo e mostra que ainda podemos buscar nosso espaço”, afirma.
Para Laura, além do aprendizado técnico, os cursos proporcionaram troca de experiências entre mulheres de diferentes idades.
“Estudei com mulheres de 40, 50 e mais de 60 anos. É importante que elas tenham perspectiva de vida. O curso deu ânimo à nossa rotina. Precisamos cuidar dos filhos, mas também ter nossa própria vida e saber que batalhamos por isso por meio do estudo.”
Coordenadora do Senai, Taís Caetano Gimenez destaca que a presença feminina crescente na indústria também traz ganhos para o setor.
“É extremamente positivo, porque fortalece a diversidade nos ambientes educacionais e industriais e torna os processos mais colaborativos. A indústria tem buscado profissionais com diferentes perspectivas e habilidades, e as mulheres têm ocupado esses espaços com grande competência”, afirma.
Mato Grosso do Sul
Como proteger idosos durante temporais e outras emergências climáticas
Especialista orienta a preparar a casa e a família para protegê-los em situações de emergência
Os temporais que atingiram Mato Grosso do Sul nos últimos dias deixaram ruas bloqueadas, árvores e postes derrubados, imóveis danificados e bairros inteiros sem energia elétrica. Em alguns pontos de Campo Grande, por exemplo, o fornecimento demorou mais de 36 horas para ser restabelecido, afetando diversas residências, muitas delas com moradores idosos.
Mato Grosso do Sul tem cerca de 391 mil pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 14,18% da população do Estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. O número ajuda a dimensionar a importância de um cuidado muitas vezes deixado de lado: preparar a casa e a família para situações de emergência provocadas por chuvas intensas, ventos fortes e interrupções prolongadas de serviços essenciais.
Para pessoas idosas, episódios desse tipo podem trazer dificuldades adicionais. Mobilidade reduzida, uso contínuo de medicamentos, dependência de equipamentos elétricos e limitações visuais ou auditivas podem tornar mais difícil reagir rapidamente a uma situação de risco.
Para Denis Corrêa, sócio e diretor comercial e estratégico da CoreHelp, instituição especializada na capacitação para atendimento de emergências, esse planejamento precisa começar antes que a tempestade chegue.
“Em uma emergência, não é o momento de descobrir quem vai ajudar o idoso, onde estão os medicamentos ou como ele poderá deixar a casa se isso for necessário. A família precisa pensar previamente nesses cenários e definir um plano simples, que todos conheçam e consigam executar”, orienta.
A atenção a esse público também está prevista no Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil 2025/2035, que estabelece que as estratégias de prevenção e resposta a desastres devem considerar prioritariamente pessoas idosas, pessoas com deficiência e aquelas com mobilidade reduzida.
O plano de resposta rápida doméstico
Denis chama esse conjunto de cuidados de plano de resposta rápida doméstico. A ideia é simples: deixar organizado, antes de qualquer problema, aquilo que a família vai precisar saber e fazer quando uma emergência acontecer. Não exige equipamentos caros nem conhecimento técnico, apenas conversa, organização e informação em lugar fácil de encontrar.
O primeiro passo é deixar os números de emergência visíveis para todos os moradores da casa, como na porta da geladeira, perto do telefone fixo ou na entrada do imóvel. Devem estar anotados o SAMU (192), a Polícia Militar (190), o Corpo de Bombeiros (193) e a Defesa Civil (199), além do telefone da companhia de energia. Também vale salvar esses contatos no celular do idoso e dos familiares mais próximos.
“Na hora do susto, muita gente esquece até o número mais conhecido. Quando a informação está escrita e à vista, qualquer pessoa da casa consegue pedir ajuda, inclusive uma criança ou uma visita”, explica Denis.
O plano também deve indicar quais hospitais da região estão preparados para atender casos de infarto e de AVC. Nessas situações, cada minuto faz diferença, e saber com antecedência para onde ir evita perda de tempo e deslocamentos desnecessários. O ideal é que a família confirme essas informações com o médico que acompanha o idoso ou com a rede de saúde do município.
Outro ponto importante é combinar qual familiar deve ser avisado primeiro em caso de emergência. Definir essa pessoa, e também uma segunda opção caso ela não atenda, evita ligações desencontradas e garante que alguém de confiança acompanhe a situação desde o início.
Por fim, a família precisa pensar em como sair rapidamente do imóvel, se for necessário. Isso inclui saber por qual porta sair, manter as chaves sempre no mesmo lugar, deixar corredores e passagens livres, ter uma lanterna de fácil acesso e combinar um ponto de encontro seguro fora da casa.
O que mais precisa estar previsto
Cada idoso tem necessidades próprias. Uma pessoa independente e com boa mobilidade terá demandas diferentes de alguém que precisa de ajuda para caminhar, usa cadeira de rodas, faz tratamento contínuo ou tem alguma condição que dificulte a comunicação ou a orientação.
A família deve definir quem poderá ajudar em uma eventual saída do imóvel, para onde o idoso será levado e como será feito esse deslocamento. Também é importante manter à mão informações sobre medicamentos, receitas, contatos de familiares, médicos e serviços de emergência.
Para quem usa medicamentos todos os dias, a recomendação é manter as receitas organizadas e acompanhar o estoque, principalmente quando houver previsão de temporais, já que sair de casa pode ficar difícil. Idosos que usam aparelhos auditivos também devem ter pilhas extras ou o carregador sempre abastecido, para não perderem a capacidade de ouvir alertas e orientações durante a emergência.
A falta de energia também merece atenção. Além de deixar a casa no escuro e aumentar o risco de quedas, uma interrupção longa pode afetar equipamentos usados nos cuidados com o idoso, a conservação de alguns medicamentos e até a comunicação com a família.
“É importante que a família saiba antecipadamente se existe algum equipamento que não pode ficar sem energia, quais são as alternativas disponíveis e para quem deve ligar. Improvisar durante o temporal aumenta muito a chance de uma decisão errada”, afirma Denis.
Nem sempre sair de casa é a primeira opção
Outra preocupação é evitar decisões apressadas. Retirar um idoso de casa durante uma chuva forte, sem que exista risco imediato no imóvel, pode expô-lo a outros perigos, como ruas alagadas, fios elétricos, árvores instáveis e quedas no caminho.
A decisão deve levar em conta as condições da casa, os alertas dos órgãos de emergência e, principalmente, a segurança do trajeto.
“Existe uma tendência natural de querer resolver tudo rapidamente, mas, em uma situação de emergência, a primeira análise deve ser sempre de segurança. Se há fios caídos, água subindo, estruturas comprometidas ou risco de queda de árvores, é preciso avaliar antes de colocar uma pessoa com mobilidade reduzida naquele ambiente”, explica o especialista.
Se for preciso deixar o imóvel, documentos pessoais, medicamentos, receitas, água e outros itens indispensáveis ao cuidado devem estar reunidos em uma bolsa ou mochila que possa ser levada rapidamente.
Também é importante que o plano não dependa de uma única pessoa. Familiares, cuidadores e vizinhos de confiança podem conhecer as necessidades daquele morador e saber como ajudar caso o responsável não consiga chegar.
Depois da chuva, os riscos continuam
O fim do temporal não significa o fim da emergência. Casas sem energia, pisos molhados, objetos fora do lugar, telhados danificados, galhos e fios espalhados pelo terreno podem criar novos riscos dentro e fora da residência.
Para idosos com dificuldade de equilíbrio, locomoção ou visão, pequenas mudanças no ambiente já aumentam a chance de quedas e outros acidentes.
Antes que o idoso volte a circular normalmente pela casa, a recomendação é verificar se há água no chão, objetos bloqueando a passagem, danos na estrutura ou qualquer alteração que dificulte a locomoção. Áreas próximas a fios, árvores caídas, postes e estruturas danificadas devem ser isoladas até a avaliação de profissionais.
Com essas medidas combinadas antes, a família reduz os improvisos justamente quando precisa decidir rápido. Um plano simples, com números de emergência à vista, hospitais de referência, contatos definidos, medicamentos organizados, rotas de saída e as necessidades específicas do idoso, torna a resposta mais segura antes, durante e depois de um temporal.
Mato Grosso do Sul
Inmet alerta para tempestades com ventos de até 90 km/h em MS; Energisa reforça orientações de segurança
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois alertas de tempestade para Mato Grosso do Sul, válidos a partir deste sábado (19), com instabilidade prevista até a segunda-feira (21). A previsão indica chuvas intensas, granizo, raios e ventos de até 90 km/h, afetando principalmente a região sul do estado.
Diante do risco de queda de árvores e lançamento de objetos sobre a fiação de energia, a Energisa-MS orienta a população a reforçar a segurança durante as tempestades:
- Distância de Segurança: Em caso de cabos rompidos, árvores ou objetos sobre a rede elétrica, mantenha distância e jamais tente mover o material, mesmo que a região pareça sem energia.
- Canais de Atendimento: Caso identifique ocorrências na rede, acione a concessionária imediatamente pelos meios oficiais:
- WhatsApp (Gisa): (67) 99980-0698
- Aplicativo: Energisa On
- Telefone: 0800 722 7272
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