Agronegócios
Colheita da soja deve pressionar fretes rodoviários a partir de fevereiro
A intensificação da colheita da safra 2025/26 de grãos tende a provocar uma elevação nos preços dos fretes rodoviários a partir de fevereiro, período em que a retirada da soja do campo ganha ritmo e passa a disputar espaço logístico com volumes ainda relevantes de milho. A avaliação consta do Boletim Logístico de janeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado esta semana.
De acordo com o quarto levantamento da safra brasileira de grãos da Conab, a área total cultivada em 2025/26 foi estimada em 83,8 milhões de hectares, crescimento de 2,6% em relação ao ciclo anterior. A produção total deve alcançar 353,1 milhões de toneladas, alta de 0,3%.
Para a soja, a área plantada foi projetada em 48,7 milhões de hectares, aumento de 2,8%, com produção estimada em 176,1 milhões de toneladas. O cenário reforça a expectativa de forte demanda logística nos próximos meses, especialmente no eixo Centro-Oeste–portos.
Segundo a estatal, a combinação entre produção elevada, ocupação de armazéns e aumento da demanda por caminhões deve sustentar uma alta gradual dos fretes já no início do ano, com maior pressão durante o pico das operações a campo. A expectativa é de que fevereiro concentre o maior volume de movimentação, refletindo diretamente nas cotações do transporte rodoviário.
Mato Grosso, principal produtor de soja do país, deve colher uma das maiores safras de sua série histórica, próxima de 49 milhões de toneladas. Esse volume expressivo amplia significativamente a necessidade de escoamento no início de 2026, pressionando a logística em um momento de elevada concorrência por caminhões.
No começo de janeiro, o avanço da colheita ainda era considerado lento em boa parte do país, com predominância de lavouras em fase de enchimento de grãos. O excesso de chuvas observado nas últimas semanas deve concentrar a maior parte da colheita no mês de fevereiro, reforçando a demanda por transporte no primeiro trimestre do ano.
Outro fator que contribui para a pressão sobre os fretes é a permanência de milho estocado. Em Mato Grosso, cerca de 14% da produção ainda estava disponível para negociação no início do ano. A concorrência direta entre soja e milho pelo mesmo parque de caminhões mantém a demanda aquecida mesmo antes do pico da colheita da oleaginosa.
Em dezembro, o mercado de fretes no Estado apresentou relativa estabilidade. A rota Sorriso–Santos permaneceu em torno de R$ 480 por tonelada, enquanto o frete com destino a Paranaguá registrou leve recuo, passando de R$ 460 para R$ 450 por tonelada. A partir de Primavera do Leste, os valores para Santos ficaram próximos de R$ 375, e para Paranaguá, em torno de R$ 360.
Apesar da estabilidade mensal, a Conab destaca que os preços praticados atualmente estão significativamente acima dos registrados no mesmo período do ano passado, especialmente nas rotas com origem em Mato Grosso.
O boletim também chama atenção para os efeitos do tabelamento de fretes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ao longo de 2025. Segundo a Conab, o aumento da fiscalização e do controle levou muitas transportadoras a priorizarem trajetos mais curtos, voltados ao mercado interno, em detrimento de rotas longas com destino aos portos.
Isan Rezende
Essa mudança de estratégia contribuiu para reduzir a fluidez em alguns corredores logísticos e para a manutenção de volumes estocados ao fim do ano, ampliando o risco de gargalos justamente no período de maior movimentação da safra.
Tudo de novo – Presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende avalia que os gargalos logísticos continuam sendo um dos principais fatores de pressão sobre a rentabilidade do agronegócio brasileiro, sobretudo nos períodos de pico da colheita.
“Todo início de safra a gente repete o mesmo roteiro: produção recorde no campo e gargalo na estrada. Não é um problema pontual, é estrutural. O produtor faz a parte dele, investe, produz mais, mas esbarra numa logística que não acompanha o crescimento do agro brasileiro. O resultado aparece no frete caro, na perda de competitividade e, muitas vezes, na renda que fica pelo caminho”, comentou Isan.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Agro atinge maior faturamento da história e confirma força econômica
O agronegócio brasileiro alcançou em 2025 o maior resultado econômico de sua história, impulsionado por produção elevada, preços firmes no mercado internacional e ganhos de produtividade. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que o Valor Bruto da Produção (VBP) do campo somou R$ 1,42 trilhão no ano, consolidando o setor como um dos principais motores da economia nacional.
Do total apurado, R$ 930 bilhões vieram das lavouras e R$ 489 bilhões da pecuária. Em valores reais, o crescimento do VBP foi de 51% em relação a 2015. Apenas nos últimos cinco anos, a soma das receitas do agro alcançou R$ 6,4 trilhões, refletindo não apenas a expansão da produção, mas também a valorização das commodities agrícolas e pecuárias.
O levantamento do Mapa indica que a agricultura brasileira passou por um processo acelerado de diversificação ao longo da última década. Enquanto culturas tradicionais voltadas ao mercado interno, como feijão, batata e banana, perderam participação relativa, produtos com forte demanda externa ganharam espaço. Soja, milho, café e cacau lideraram esse movimento, acompanhados por culturas emergentes como amendoim, gergelim, cevada e centeio.
Entre os destaques, o amendoim apresentou crescimento real de 176% no valor da produção em dez anos. A expansão está associada ao aumento da área plantada e à maior inserção do produto em mercados internacionais, especialmente para a indústria alimentícia e de óleos vegetais.
A soja manteve a liderança absoluta entre as lavouras, com valor de produção estimado em R$ 329 bilhões em 2025, alta real de 58% na comparação com 2015. A produção nacional chegou a 172 milhões de toneladas, avanço de 79% na década, sustentado por exportações recordes. O milho aparece na sequência, com VBP de R$ 166 bilhões e crescimento real de 55% no período. Arroz e trigo tiveram evolução mais moderada, próxima de 15%.
Culturas de menor escala, mas de alto valor agregado, também ganharam relevância. O valor da produção do cacau aumentou 238% em dez anos, refletindo a escassez global e a disparada dos preços internacionais. O café registrou crescimento real de 158% no mesmo intervalo, com destaque para o café conilon, cujo valor de produção avançou 423%, segundo dados consolidados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Na pecuária, o avanço foi igualmente expressivo. O valor de produção do setor atingiu R$ 489 bilhões em 2025, crescimento real de 56% em relação a 2015. A produção total de carnes — bovina, suína e de frango — passou de 26,4 milhões de toneladas para 32,5 milhões no período. A carne bovina permaneceu como principal fonte de receita, com R$ 211 bilhões, enquanto a carne suína apresentou o maior crescimento percentual, com alta real de 142% na década.
Os números divulgados pelo Mapa reforçam que o desempenho recorde do agro brasileiro resulta da combinação entre tecnologia, escala produtiva e inserção internacional. Mesmo diante de desafios climáticos e geopolíticos, o setor manteve competitividade e ampliou sua presença nos mercados globais, sustentando o avanço econômico do campo e sua relevância para o país.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Dólar em baixa e juros elevados pressionam margens do agronegócio
O agronegócio brasileiro, historicamente beneficiado por um real competitivo frente ao dólar, enfrenta hoje uma combinação de fatores econômicos que merece atenção dos produtores. Na quarta-feira (28.01), a moeda norte-americana voltou a operar abaixo de R$ 5,20, acumulando queda relevante em 2025 e alcançando níveis não vistos desde 2024. Essa tendência, que pode se estender para 2026, tem efeitos distintos sobre custos, receitas e decisões estratégicas no campo.
Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros (Selic) foi mantida em patamares elevados, decisão anunciada também nesta quarta-feira (28) pelo Banco Central, como instrumento de combate à inflação e de sustentação do real. Juros altos tendem a valorizar a moeda nacional ao atrair capital externo, mas também elevam o custo do crédito rural e encarecem investimentos produtivos. A tradução disso no agronegócio é uma pressão dupla: margens de exportação apertadas e custo de financiamento elevado para custeio e investimento.
Impactos
Para um setor tão fortemente voltado ao mercado internacional, um dólar mais baixo tem efeitos paradoxais. Por um lado, reduz as receitas em reais das vendas externas de commodities como soja, milho, algodão e café — já que cada dólar recebido converte-se em menos reais quando o câmbio se desvaloriza. Isso impacta diretamente as margens de lucratividade dos produtores que não fizeram proteção cambial (hedge).
Por outro lado, o dólar em patamares menores alivia os custos de produção no médio prazo, porque grande parte dos insumos agrícolas que entram na fazenda — especialmente fertilizantes e defensivos — é cotada em dólar. Estima-se que cerca de 85% dos fertilizantes e 70% dos defensivos agrícolas usados no Brasil sejam importados, o que significa que uma moeda americana mais barata pode reduzir o custo desses itens para a safra 2026/27.
Juros altos e custo de capital
Enquanto o dólar pressiona a receita elástica dos exportadores, a Selic elevada torna mais caro financiar operações agrícolas. O crédito rural — fundamental para custeio, plantio antecipado e investimentos em maquinário — fica mais pesado no bolso do produtor quando os juros estão altos. Isso pode desestimular investimentos em tecnologia, armazenagem e modernização da produção, pressionando a competitividade no longo prazo. Centrais de análise econômica destacam que essa combinação de juros elevados e câmbio valorizado pode reduzir a atratividade de investimentos internos no setor.
Proteção e estratégias para o produtor
Diante desse cenário, especialistas e consultores de mercado recomendam que produtores adotem estratégias de gestão de risco financeiro em vez de simplesmente reagir a cada movimento cambial ou de juros. Algumas das práticas mais utilizadas incluem:
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Hedge cambial: contratos futuros ou opções de venda que travam o preço do dólar para uma parte das exportações, protegendo-as contra quedas abruptas da moeda.
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Diversificação de janelas de venda: escalonar a comercialização da produção em diferentes momentos para reduzir a dependência de um único patamar de câmbio.
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Planejamento de compras de insumos: antecipar ou escalonar a aquisição de fertilizantes e defensivos quando o dólar estiver mais favorável.
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Uso de instrumentos financeiros e seguros agrícolas: incluírem seguros de preço mínimo, opções de venda de grãos e outros contratos que podem amortecer oscilações de receita.
Olhar estratégico para além do câmbio
Embora um dólar mais baixo possa parecer, à primeira vista, um problema para exportadores, a leitura precisa é mais complexa. Câmbio e juros são apenas dois dos vários fatores que moldam a competitividade do agronegócio global, ao lado de preços internacionais de commodities, custos logísticos e políticas públicas de apoio ao crédito e seguros.
Num mundo em que as decisões de consumo, investimento e produção são cada vez mais interligadas a variáveis macroeconômicas, a capacidade de antecipar cenários e proteger margens financeiras pode ser tão importante quanto a produtividade no campo.
Fonte: Pensar Agro
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