Mato Grosso do Sul
Ressonância no Hospital Regional de Dourados reduz viagens e anos de espera por diagnóstico no SUS
Tecnologia na rede pública amplia o acesso a exames de alta complexidade para pacientes de 34 municípios do Cone Sul
A viagem de Adelina Sales começou quando a maioria das casas ainda dormia. Moradora da zona rural, ela levantou à meia-noite e saiu de casa por volta das três da manhã para conseguir chegar ao Hospital Regional de Dourados quase às sete. O cansaço da estrada se somava a uma espera bem mais longa: havia cerca de quatro anos que ela aguardava a realização de uma ressonância magnética pelo Sistema Único de Saúde.
Em tratamento por causa de artrose no joelho, Adelina já havia passado por consultas, encaminhamentos e até feito um exame anterior fora de Mato Grosso do Sul. Ainda assim, seguia à espera de uma nova avaliação que pudesse ajudar na continuidade do tratamento. A chamada para realizar o exame no HRD representou, para ela, mais do que a marcação de um procedimento. Foi a interrupção de uma espera que atravessou anos.
“Levantamos meia-noite para poder estar aqui. Saímos de casa às três da manhã e chegamos quase às sete. Foi cansativo, mas graças a Deus deu tudo certo”, contou. “A gente mora na roça e ficava esperando, esperando, e nunca saía. Agora saiu, graças a Deus.”
A instalação do primeiro aparelho de ressonância magnética da rede pública no Hospital Regional de Dourados começou a alterar a rotina de pacientes como Adelina, especialmente moradores de cidades do interior, distritos e comunidades rurais. O equipamento entrou em funcionamento no dia 27 de abril e passou a atender a macrorregião do Cone Sul, formada por 34 municípios. Com capacidade estimada para cerca de 500 exames por mês, o serviço diminui a necessidade de deslocamentos para outros centros e aproxima exames de alta complexidade de pacientes que dependem exclusivamente da rede pública.
No caso de Adelina, a mudança não se resume à distância percorrida. O atendimento recebido também ficou marcado em sua memória. Acostumada à vida no sítio, ela relata que nem sempre se sentiu acolhida nos serviços de saúde por ser moradora da zona rural. No Hospital Regional, segundo ela, a experiência foi diferente.
“Tem lugar que parece que a gente é tratada diferente porque é da roça”, desabafou. “Cheguei e já vieram pegar meus documentos, me encaminharam rápido, os médicos atenderam muito bem. Fui muito bem tratada.”
A história de Luciene de Medeiros, moradora de Itaporã, também ajuda a dimensionar o peso da espera por exames especializados no interior. Ela convive com bursite e rompimento dos tendões dos ombros e aguardava uma ressonância magnética desde 2019. O pedido de cirurgia veio em 2023, mas o exame seguia como etapa necessária para a continuidade do tratamento.
“Esse exame que vim fazer hoje já estava esperando há mais de dois anos”, afirmou.
Para quem depende do SUS, a demora em um exame pode significar dor prolongada, dificuldade de trabalhar, perda de mobilidade e adiamento de decisões médicas. A ressonância magnética é fundamental em diferentes áreas, especialmente na ortopedia, por permitir uma avaliação detalhada de articulações, músculos, tendões, ligamentos, coluna e outras estruturas do corpo. Sem o exame, muitos pacientes permanecem em uma espécie de corredor de espera entre a suspeita clínica e a definição do tratamento.
Luciene avalia que a chegada do equipamento ao Hospital Regional pode encurtar esse caminho para outras pessoas que enfrentam o mesmo percurso. “Se depender de pagar, muita gente nunca consegue fazer. Então isso aqui faz diferença demais para a população”, disse. Ela também destacou a estrutura da unidade e o atendimento recebido. “Já é a terceira vez que venho aqui e continuo achando maravilhoso. A estrutura é muito boa e os aparelhos ajudam bastante.”
O aparelho instalado no Hospital Regional de Dourados recebeu investimento de R$ 7,5 milhões da Secretaria de Estado de Saúde. A incorporação do serviço amplia a capacidade diagnóstica da rede pública na região e atende a uma demanda antiga de pacientes que, até então, precisavam esperar por vagas em outras localidades ou enfrentar viagens longas para realizar o exame.
Para o médico João Hoffmann, profissional da unidade, a ressonância magnética tem impacto direto em especialidades que dependem do exame para definir diagnósticos e condutas. Segundo ele, o novo serviço fortalece a ortopedia de alta complexidade, com atendimentos voltados a problemas de coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além de auxiliar em cirurgias do aparelho digestivo e em outros métodos diagnósticos necessários dentro da rede.
“A ressonância vem para somar à ortopedia de alta complexidade, com atendimentos voltados para coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além de auxiliar em cirurgias do aparelho digestivo e outros métodos diagnósticos necessários dentro da rede”, explicou.
Na prática, a presença do equipamento em Dourados altera uma etapa decisiva do cuidado em saúde: o tempo entre a dor, a suspeita médica e a confirmação do diagnóstico. Para pacientes do interior, esse intervalo costuma ser atravessado por deslocamentos, custos indiretos, perda de dias de trabalho e dependência de transporte. Quando o exame passa a ser oferecido mais perto, a tecnologia deixa de ser apenas um recurso hospitalar e se transforma em acesso concreto.
Para Adelina, depois de anos esperando, o significado é simples e direto. A ressonância não elimina sozinha a doença nem encerra o tratamento, mas abre uma porta que permaneceu fechada por tempo demais. Entre a madrugada na estrada e a chegada ao hospital, o exame representou uma chance de seguir adiante com mais clareza sobre o próprio corpo e com a sensação de que, desta vez, a espera encontrou resposta.
Juliana França, Comunicação HRD
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
UEMS abre inscrições para novo curso superior de Licenciatura em Computação
A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) está com processo seletivo aberto para o seu mais novo curso de graduação: Licenciatura em Computação. A oportunidade é totalmente gratuita, presencial e com aulas no período noturno. O curso é viabilizado pelo programa Prilei (Programa Institucional de Fomento e Indução da Inovação da Formação Inicial e Continuada de Professores com ênfase na Educação Integral), uma iniciativa do Ministério da Educação amparada pela Política Nacional de Educação Digital.
A oferta ocorre por meio de uma rede de cooperação técnica que une a UFMS (instituição matriz), a UEMS e a UEM. Estão sendo ofertadas 160 vagas no total, distribuídas igualmente (40 vagas para cada localidade) para atender a interiorização do ensino superior:
- Amambai: 40 vagas;
- Campo Grande: 40 vagas;
- Dourados: 40 vagas;
- Ivinhema: 40 vagas.
O curso terá aulas noturnas de segunda a sexta-feira, com atividades pontuais aos sábado, e tem duração de oito semestre. A carga horária é de 3.240 horas, sendo 330 horas de atividades de extensão. Haverão ainda estágios com práticas obrigatórias integradas com as redes municipais de ensino, englobando a Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II, e Ensino Médio.
Quem pode se inscrever?
O processo seletivo (Edital nº 091/2026 – PROE/UEMS) adota critérios inclusivos e é voltado para os seguintes perfis:
- Profissionais da Educação: professores e servidores de escolas públicas (auxiliares, assistentes, secretários, técnicos, etc.) que atuam na Educação Básica e não possuem nível superior.
- Participantes do ENEM: candidatos sem curso superior que tenham alcançado bom desempenho no ENEM nas edições realizadas entre os anos de 2016 e 2025.
- Concluintes do Ensino Médio: candidatos que já finalizaram o Ensino Médio, cuja seleção utilizará a nota do Histórico Escolar.
Atente-se para: ao se candidatar, o estudante deve enviar um Termo de Compromisso se comprometendo a realizar 1 (um) ano de residência docente na rede pública de ensino receberá uma bolsa financeira por isso e a não desistir da vaga.
Inscrições e cronograma
O período vai até 6 de julho. As inscrições são online e devem ser realizadas pelo site candidato.uems.br. Documentos devem ser enviados com toda a documentação necessária e o termo de compromisso preenchido devem ser encaminhados para o e-mail [email protected]
A estrutura curricular do curso foi desenhada para conectar a computação à realidade escolar contemporânea, capacitando o futuro educador em áreas de grande demanda tecnológica:
- Inteligência Artificial (IA) aplicada ao contexto pedagógico;
- Pensamento Computacional e lógica desde a educação básica;
- Robótica Educacional e Cultura Maker integradas ao currículo;
- Gamification (uso de jogos digitais como estratégia de ensino);
- Metodologias Ativas e Tecnologias Digitais.
Para acesso completo ao edital, clique aqui. A página do programa está em PROE/DIND. Dúvidas e informações suplementares podem ser obtidas com a Divisão de Ingresso Discente pelo telefone (67) 3902-2516 ou pelo e-mail [email protected].
Comunicação UEMS
Foto: Bruno Rezende/Secom/Arquivo
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
No Dia do Cinema Brasileiro, audiovisual de Mato Grosso do Sul celebra expansão e projeta novos desafios
No Dia do Cinema Brasileiro, celebrado nesta sexta-feira (19), o audiovisual de Mato Grosso do Sul tem motivos para comemorar. Impulsionado por políticas públicas de incentivo e pelo amadurecimento de sua cadeia produtiva, o setor vive um dos momentos mais promissores de sua história recente, com crescimento da produção local, ampliação da circulação de obras e fortalecimento da formação profissional.
Nos últimos cinco anos, o Estado recebeu um volume expressivo de investimentos destinados ao audiovisual. Somente por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG), foram destinados mais de R$ 20 milhões para projetos do setor em Mato Grosso do Sul. A esse montante somam-se recursos estaduais do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) e, mais recentemente, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que passou a garantir uma fonte contínua de financiamento para a cultura brasileira.
Em 2026, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) lançou três editais específicos para o audiovisual, totalizando R$ 1 milhão em investimentos por meio da PNAB. As chamadas públicas contemplam diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a produção de obras até sua circulação e exibição.
Um dos editais prevê R$ 100 mil para o licenciamento de 30 obras audiovisuais finalizadas a partir de 2023. Os trabalhos selecionados serão exibidos em ações como o Rota Cine, mostras promovidas pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) e na programação da TV Educativa. Outra iniciativa destina R$ 500 mil à produção de cinco curtas-metragens de animação inéditos, com até R$ 100 mil por projeto. Já o terceiro edital disponibiliza R$ 400 mil para apoiar a participação de produções sul-mato-grossenses em festivais e mostras nacionais e internacionais.
Os editais seguem em andamento e devem ser concluídos até agosto.
Para o cineasta Roberto Leite, que atua há mais de duas décadas no setor, o momento atual representa um marco histórico para o audiovisual sul-mato-grossense.
“Posso dizer que vivemos um dos períodos mais importantes da história do setor no estado. Nos últimos anos, especialmente com a chegada da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc, houve um fortalecimento significativo da produção audiovisual. Esses recursos permitiram que produtores, diretores, roteiristas, técnicos e artistas tivessem condições de desenvolver projetos com mais qualidade e alcançar novos espaços de exibição e reconhecimento”, afirma.
Segundo ele, entretanto, o cenário atual é resultado de uma construção iniciada muito antes da chegada das políticas federais.
“Diversos profissionais já vinham construindo o audiovisual sul-mato-grossense por meio dos editais estaduais, como o FIC, além de iniciativas da iniciativa privada. Foi esse trabalho contínuo que preparou o terreno para o momento que vivemos atualmente”, destaca.
Leite ressalta ainda que o desafio passa pela continuidade dos investimentos e pela garantia da execução dos recursos dentro dos prazos previstos.
“O audiovisual movimenta profissionais, empresas e serviços. Quando há atrasos nos pagamentos ou insegurança sobre a execução dos recursos, toda a cadeia produtiva é impactada”, observa.
O crescimento da produção também pode ser percebido nos festivais locais. Para o cineasta e produtor cultural Dannon Lacerda, os números recentes demonstram uma mudança significativa no cenário estadual.
“O Festival Curta Campo Grande recebeu, em sua última edição, 32 inscrições de curtas-metragens produzidos em 2024 e 2025, número muito superior ao registrado antes da pandemia, quando dificilmente ultrapassávamos cinco produções por ano”, explica.
Para ele, o próximo passo consiste em transformar esse aumento quantitativo em desenvolvimento sustentável e qualificado.
“É fundamental investir na formação continuada dos profissionais do setor. Além de seu papel na cultura, na educação e no entretenimento, o audiovisual exerce um impacto econômico significativo, movimentando turismo, comércio, tecnologia, serviços e economia criativa”, avalia.
Além dos investimentos, os profissionais do audiovisual do Estado destacam a criação da Film Commission de Mato Grosso do Sul como iniciativa estratégica capaz de ampliar a visibilidade do estado, atrair produções externas e gerar novas oportunidades para profissionais locais. “É uma ferramenta que tende a fortalecer ainda mais o setor nos próximos anos, avalia Roberto Leite.
A formação profissional também foi apontada por agentes do setor como um dos fatores responsáveis pelo amadurecimento da produção local. A criação do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) ampliou o acesso à qualificação técnica e contribuiu para a renovação de realizadores e profissionais da área.
Para o cineasta Thiago Rotta, o audiovisual já ultrapassa o campo exclusivamente cultural e deve ser compreendido como um setor estratégico para o desenvolvimento do Estado.
“O audiovisual movimenta cadeias produtivas, fortalece o turismo, projeta a identidade dos territórios e conecta o Mato Grosso do Sul a mercados e públicos muito além de suas fronteiras. Hoje ele está presente na cultura, na educação, na indústria, no agronegócio, na comunicação institucional e na construção de marcas”, afirma.
Segundo Thiago, o fortalecimento do setor também depende da profissionalização das empresas, da articulação coletiva e da construção de uma visão de longo prazo.
“Mato Grosso do Sul possui uma riqueza cultural extraordinária e, aos poucos, essa diversidade começa a aparecer também nas telas. O grande desafio dos próximos anos será transformar essa potência criativa em desenvolvimento contínuo”, acrescenta.
A expansão da produção local também é percebida por Andréa Freire, gestora cultural e coordenadora do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano. Ela observa o crescimento do número de obras realizadas no Estado e a diversidade de linguagens e temáticas abordadas pelos realizadores.
“As produções estão cada vez mais interessantes, ecléticas e com diversas linguagens, novos realizadores e temas que falam de nós e nos espelham no mundo”, destaca.
Ao mesmo tempo, Andréa aponta a necessidade de fortalecer toda a cadeia produtiva do audiovisual.
“O financiamento público tem contribuído para impulsionar a produção, mas ainda é insuficiente para a demanda atual. Tanto quanto produzir filmes, é fundamental distribuí-los para que cheguem ao público”, observa.
Entre os próximos passos para o setor, os entrevistados apontam a consolidação de políticas permanentes de investimento, o fortalecimento da recém-criada Film Commission de Mato Grosso do Sul, a ampliação dos mecanismos de distribuição e circulação das obras e a continuidade dos editais públicos.
“O audiovisual é uma das áreas mais dinâmicas da economia criativa contemporânea. Quando investimos no setor, estamos investindo em cultura, mas também em inovação, qualificação profissional, empreendedorismo e desenvolvimento regional. Mato Grosso do Sul vive um momento muito especial, com o fortalecimento dos realizadores locais, a ampliação dos mecanismos de fomento e iniciativas estratégicas como a Film Commission, que ampliam nossa capacidade de atrair investimentos e gerar oportunidades.
De acordo com o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, é importante celebrar resultados já alcançados. Mas, também, manter o foco no futuro do cinema que estamos construindo.
“O Dia do Cinema Brasileiro revela um momento de transformação para o audiovisual sul-mato-grossense. Um cenário construído por décadas de trabalho de realizadores, produtores e instituições culturais, que agora encontra nas políticas públicas uma oportunidade de ampliar sua presença dentro e fora do Estado, projetando novas histórias, novos olhares e novas possibilidades para o cinema produzido em Mato Grosso do Sul. Queremos que cada vez mais histórias sul-mato-grossenses sejam produzidas, exibidas e reconhecidas dentro e fora do país, consolidando o audiovisual como um setor estratégico para o desenvolvimento cultural e econômico do Estado”.
Comunicação Setesc
Fonte: Governo MS
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