Mato Grosso do Sul
Nova fronteira: citricultura abre oportunidades e muda a vida de trabalhadores em Mato Grosso do Sul
Ana Paula do Nascimento acorda às 5 horas da manhã, arruma as crianças para escola e já segue para o barracão. Lá começa a organizar as vendas da laranja e as tarefas do dia na fazenda Pouso Alegre, em Dois Irmãos do Buriti. A partir das 7 horas inicia o processo de colheita. Ela é administradora de uma propriedade rural de citricultura, atividade que está em plena ascensão e faz parte da nova fronteira agrícola do Mato Grosso do Sul.
A frente de um grupo de funcionários e diaristas que ajudam na colheita, Ana Paula tem o grande desafio de comandar uma produção que abastece o comércio de cidades vizinhas e chegam até Dourados e Campo Grande. As laranjas inclusive já viajaram para São Paulo e Paraná.
“É um desafio muito grande ser uma mulher à frente da fazenda, na função de administradora, mas aqui o meu trabalho é valorizado, os funcionários e diaristas me respeitam muito. Para chegar aqui não foi fácil, principalmente por ser mulher na área rural, mas nunca senti preconceito”.

Nascida em Naviraí, Ana Paula trabalhou em outros setores como frigoríficos e granjas, até que depois de uma separação foi morar em Dois Irmãos do Buriti. Conheceu seu marido, formou uma filha, trabalhou como empregada doméstica até chegar na produção de laranja.
“Em 2018 cheguei aqui na fazenda com meu marido e no começo era diarista, fazia de tudo um pouco. Desbrotava, fazia parte da colheita e carpia por baixo da árvore, para fazer a saia da laranja. Depois aprendi a passar os produtos e todo processo, até que ganhei a grande responsabilidade de administrar a fazenda”.
Além de cuidar de toda produção, hoje ela faz os contatos com os compradores (laranja) e esta a frente de todo processo até a fruta chegar ao comércio. Na produção ainda trabalha com o pai, dois filhos e marido. “Trabalho com minha família. É muito gratificante e maravilhoso acompanhar o processo da laranja desde o início, até a entrega das laranjas. Chegar ao final do dia cansado, mas a noite ter aquela sensação de dever cumprido”.
Diante de um cenário de crescimento da produção (laranja) no Estado, Ana Paula pretende continuar no setor e espera que a chegada das novas empresas possa só melhorar e abrir novas oportunidades a todos, mesmo com o temor com a chegada de mais concorrência.
“Me sinto muito honrada pelo meu trabalho, gosto deste ramo e não pretendo abandonar. A produção de laranja está crescendo no Estado e muitas empresas de fora estão chegando. Não posso negar que ficamos com um pouco de receio, mas acredito que tem espaço para todos. Mato Grosso do Sul é um excelente lugar para quem quer vir plantar”, avalia.

Melhor no campo
Nascido e criado em Dois Irmãos do Buriti, Adriano dos Santos Silva trabalha há sete anos na produção de laranja. Ele é responsável por organizar a aplicação de defensores agrícolas na produção e cuidar da limpeza do pomar. “Gosto de estar no campo, do contato com a natureza. É muito mais tranquilo para trabalhar, melhor no campo, do que em lugar fechado”.
Antes de chegar na citricultura, ele trabalhou em granjas e no plantio de banana e abacaxi. “Me falaram que estava precisando de gente na produção (laranja), abracei a chance e não sai mais. Quero continuar trabalhando no ramo até ficar velhinho, se Deus quiser”.

Animado e confiante por produzir “laranja de primeira qualidade”, Adriano explica que na produção é preciso ter paciência e pedir a cooperação do tempo, que pode ser um grande aliado na colheita. “Não adianta ficar apurado para colher, o clima também faz muita diferença. Quando está chuvoso é muito bom para nós, mas na seca e no sol muito quente judia demais da produção”.
Para quem já notou a ascensão da laranja no Estado e tem a intenção de trabalhar no setor, Adriano não tem dúvidas na hora de recomendar a empreitada. “Eu recomendo e sempre digo que é um bom trabalho, estou feliz e pretendo continuar. Ficamos até com medo com este aumento de gente trabalhando aqui no Estado, mas vai ser bom para todos”.

Nova fronteira
Mato Grosso do Sul ganhou uma nova fronteira agrícola, com a expansão da citricultura em diferentes regiões do Estado. São 15 mil hectares plantados, com expectativa de chegar a 30 mil nos próximos anos. Este “boom” do mercado está associado ao clima, bom ambiente de produção e uma legislação rígida, com “tolerância zero” a doença de greening, que devastou plantações e pomares no mundo todo.

O Governo do Estado faz a sua parte com investimentos robustos na área de infraestrutura e logística, para facilitar o escoamento da produção e melhorar os acessos em diferentes regiões. Também contribui com apoio e mediação no contato com órgãos estaduais, entre elas na questão energética.
“Estamos com uma nova divisa de prosperidade em Mato Grosso do Sul. Ficamos felizes com a confiança dos produtores em investir aqui. Hoje já vamos para quase 30 mil hectares de laranja plantados no Estado. Um projeto audacioso, que alavanca uma nova atividade no Estado. Na sequência disto certamente vamos avançar para industrialização no setor”, afirmou o governador Eduardo Riedel.

Esta nova alternativa econômica no Estado atraiu as empresas “gigantes” do setor, que desejaram seguir rumo ao Estado para plantar laranja. Um dos exemplos é a Cutrale, que já está na primeira fase da sua produção em Sidrolândia e tem a intenção de plantar 4,8 mil hectares. A estimativa é chegar nos próximos anos com uma produção de 8 milhões de caixas de laranja (anual). O investimento previsto é de R$ 500 milhões no projeto, podendo chegar a R$ 1 bilhão.
Outros grupos também se interessaram como a empresa Citrosuco, que é um dos maiores da área de suco de laranja do mundo. A previsão é de que o empreendimento seja instalado na Costa Leste, entre Campo Grande, Três Lagoas e Paranaíba.
O Grupo Moreira Sales anunciou no ano passado o investimento de R$ 1,2 bilhão no Estado, iniciando o plantio de laranja ainda este ano na área que fica em Ribas do Rio Pardo, próximo ao município de Água Clara. A meta é colher 8 milhões de caixas da fruta, assim como gerar 1,2 mil empregos diretos e 2,4 mil indiretos.
O Agro Terena vai plantar em 1,2 mil hectares em Bataguassu, assim como o Grupo Junqueira Rodas, que começou em abril o projeto de citricultura em Paranaíba, com a intenção de plantar em 1.500 hectares.
“Hoje já temos no Estado mais de 30 mil hectares captados. A citricultura está vindo a Mato Grosso do Sul decorrente de um problema, de uma doença que afetou os pomares do mundo inteiro. Neste cenário Mato Grosso do Sul se torou uma opção. Nós fizemos uma lei onde temos tolerância zero ao greening. Isto quer dizer que ao identificar qualquer pé de laranja que tenha greening não será tratado e sim extinto. Este é o grande que coloca nosso Estado na vitrine da citricultura nacional”, destacou Jaime Verruck, secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
A expectativa é que com a expansão da produção de laranja, com geração de empregos e oportunidades, o próximo passo no Estado é contar com a implantação das indústrias do setor, que vão impulsionar ainda mais a economia do Mato Grosso do Sul.

Leonardo Rocha, Comunicação do Governo de MS
Fotos: Álvaro Rezende
ATENÇÃO: confira aqui o pack imprensa com as imagens e entrevistas da reportagem
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Como proteger idosos durante temporais e outras emergências climáticas
Especialista orienta a preparar a casa e a família para protegê-los em situações de emergência
Os temporais que atingiram Mato Grosso do Sul nos últimos dias deixaram ruas bloqueadas, árvores e postes derrubados, imóveis danificados e bairros inteiros sem energia elétrica. Em alguns pontos de Campo Grande, por exemplo, o fornecimento demorou mais de 36 horas para ser restabelecido, afetando diversas residências, muitas delas com moradores idosos.
Mato Grosso do Sul tem cerca de 391 mil pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 14,18% da população do Estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. O número ajuda a dimensionar a importância de um cuidado muitas vezes deixado de lado: preparar a casa e a família para situações de emergência provocadas por chuvas intensas, ventos fortes e interrupções prolongadas de serviços essenciais.
Para pessoas idosas, episódios desse tipo podem trazer dificuldades adicionais. Mobilidade reduzida, uso contínuo de medicamentos, dependência de equipamentos elétricos e limitações visuais ou auditivas podem tornar mais difícil reagir rapidamente a uma situação de risco.
Para Denis Corrêa, sócio e diretor comercial e estratégico da CoreHelp, instituição especializada na capacitação para atendimento de emergências, esse planejamento precisa começar antes que a tempestade chegue.
“Em uma emergência, não é o momento de descobrir quem vai ajudar o idoso, onde estão os medicamentos ou como ele poderá deixar a casa se isso for necessário. A família precisa pensar previamente nesses cenários e definir um plano simples, que todos conheçam e consigam executar”, orienta.
A atenção a esse público também está prevista no Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil 2025/2035, que estabelece que as estratégias de prevenção e resposta a desastres devem considerar prioritariamente pessoas idosas, pessoas com deficiência e aquelas com mobilidade reduzida.
O plano de resposta rápida doméstico
Denis chama esse conjunto de cuidados de plano de resposta rápida doméstico. A ideia é simples: deixar organizado, antes de qualquer problema, aquilo que a família vai precisar saber e fazer quando uma emergência acontecer. Não exige equipamentos caros nem conhecimento técnico, apenas conversa, organização e informação em lugar fácil de encontrar.
O primeiro passo é deixar os números de emergência visíveis para todos os moradores da casa, como na porta da geladeira, perto do telefone fixo ou na entrada do imóvel. Devem estar anotados o SAMU (192), a Polícia Militar (190), o Corpo de Bombeiros (193) e a Defesa Civil (199), além do telefone da companhia de energia. Também vale salvar esses contatos no celular do idoso e dos familiares mais próximos.
“Na hora do susto, muita gente esquece até o número mais conhecido. Quando a informação está escrita e à vista, qualquer pessoa da casa consegue pedir ajuda, inclusive uma criança ou uma visita”, explica Denis.
O plano também deve indicar quais hospitais da região estão preparados para atender casos de infarto e de AVC. Nessas situações, cada minuto faz diferença, e saber com antecedência para onde ir evita perda de tempo e deslocamentos desnecessários. O ideal é que a família confirme essas informações com o médico que acompanha o idoso ou com a rede de saúde do município.
Outro ponto importante é combinar qual familiar deve ser avisado primeiro em caso de emergência. Definir essa pessoa, e também uma segunda opção caso ela não atenda, evita ligações desencontradas e garante que alguém de confiança acompanhe a situação desde o início.
Por fim, a família precisa pensar em como sair rapidamente do imóvel, se for necessário. Isso inclui saber por qual porta sair, manter as chaves sempre no mesmo lugar, deixar corredores e passagens livres, ter uma lanterna de fácil acesso e combinar um ponto de encontro seguro fora da casa.
O que mais precisa estar previsto
Cada idoso tem necessidades próprias. Uma pessoa independente e com boa mobilidade terá demandas diferentes de alguém que precisa de ajuda para caminhar, usa cadeira de rodas, faz tratamento contínuo ou tem alguma condição que dificulte a comunicação ou a orientação.
A família deve definir quem poderá ajudar em uma eventual saída do imóvel, para onde o idoso será levado e como será feito esse deslocamento. Também é importante manter à mão informações sobre medicamentos, receitas, contatos de familiares, médicos e serviços de emergência.
Para quem usa medicamentos todos os dias, a recomendação é manter as receitas organizadas e acompanhar o estoque, principalmente quando houver previsão de temporais, já que sair de casa pode ficar difícil. Idosos que usam aparelhos auditivos também devem ter pilhas extras ou o carregador sempre abastecido, para não perderem a capacidade de ouvir alertas e orientações durante a emergência.
A falta de energia também merece atenção. Além de deixar a casa no escuro e aumentar o risco de quedas, uma interrupção longa pode afetar equipamentos usados nos cuidados com o idoso, a conservação de alguns medicamentos e até a comunicação com a família.
“É importante que a família saiba antecipadamente se existe algum equipamento que não pode ficar sem energia, quais são as alternativas disponíveis e para quem deve ligar. Improvisar durante o temporal aumenta muito a chance de uma decisão errada”, afirma Denis.
Nem sempre sair de casa é a primeira opção
Outra preocupação é evitar decisões apressadas. Retirar um idoso de casa durante uma chuva forte, sem que exista risco imediato no imóvel, pode expô-lo a outros perigos, como ruas alagadas, fios elétricos, árvores instáveis e quedas no caminho.
A decisão deve levar em conta as condições da casa, os alertas dos órgãos de emergência e, principalmente, a segurança do trajeto.
“Existe uma tendência natural de querer resolver tudo rapidamente, mas, em uma situação de emergência, a primeira análise deve ser sempre de segurança. Se há fios caídos, água subindo, estruturas comprometidas ou risco de queda de árvores, é preciso avaliar antes de colocar uma pessoa com mobilidade reduzida naquele ambiente”, explica o especialista.
Se for preciso deixar o imóvel, documentos pessoais, medicamentos, receitas, água e outros itens indispensáveis ao cuidado devem estar reunidos em uma bolsa ou mochila que possa ser levada rapidamente.
Também é importante que o plano não dependa de uma única pessoa. Familiares, cuidadores e vizinhos de confiança podem conhecer as necessidades daquele morador e saber como ajudar caso o responsável não consiga chegar.
Depois da chuva, os riscos continuam
O fim do temporal não significa o fim da emergência. Casas sem energia, pisos molhados, objetos fora do lugar, telhados danificados, galhos e fios espalhados pelo terreno podem criar novos riscos dentro e fora da residência.
Para idosos com dificuldade de equilíbrio, locomoção ou visão, pequenas mudanças no ambiente já aumentam a chance de quedas e outros acidentes.
Antes que o idoso volte a circular normalmente pela casa, a recomendação é verificar se há água no chão, objetos bloqueando a passagem, danos na estrutura ou qualquer alteração que dificulte a locomoção. Áreas próximas a fios, árvores caídas, postes e estruturas danificadas devem ser isoladas até a avaliação de profissionais.
Com essas medidas combinadas antes, a família reduz os improvisos justamente quando precisa decidir rápido. Um plano simples, com números de emergência à vista, hospitais de referência, contatos definidos, medicamentos organizados, rotas de saída e as necessidades específicas do idoso, torna a resposta mais segura antes, durante e depois de um temporal.
Mato Grosso do Sul
Inmet alerta para tempestades com ventos de até 90 km/h em MS; Energisa reforça orientações de segurança
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois alertas de tempestade para Mato Grosso do Sul, válidos a partir deste sábado (19), com instabilidade prevista até a segunda-feira (21). A previsão indica chuvas intensas, granizo, raios e ventos de até 90 km/h, afetando principalmente a região sul do estado.
Diante do risco de queda de árvores e lançamento de objetos sobre a fiação de energia, a Energisa-MS orienta a população a reforçar a segurança durante as tempestades:
- Distância de Segurança: Em caso de cabos rompidos, árvores ou objetos sobre a rede elétrica, mantenha distância e jamais tente mover o material, mesmo que a região pareça sem energia.
- Canais de Atendimento: Caso identifique ocorrências na rede, acione a concessionária imediatamente pelos meios oficiais:
- WhatsApp (Gisa): (67) 99980-0698
- Aplicativo: Energisa On
- Telefone: 0800 722 7272
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