Mato Grosso do Sul
Da cena do crime ao laboratório: mulheres atuam na produção da prova pericial em MS
Na Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, mulheres participam de diferentes etapas da atividade pericial, desde o atendimento em locais de crime até análises laboratoriais, exames médico-legais e papiloscopia. Atualmente, elas representam cerca de 40% do efetivo da instituição.
Antes que um exame médico seja realizado ou uma identificação seja confirmada, o trabalho técnico começa no local do fato. É ali que vestígios são identificados, registrados e preservados para subsidiar as investigações e orientar os exames que serão realizados posteriormente.
Vestígios e dinâmica do crime
A perita criminal Karla Gonçalves da Cruz, que ingressou na instituição em 2014 e atualmente trabalha no Núcleo de Perícias Externas, no setor de Crimes Contra a Vida, na Capital, explica que a preservação do local é a primeira preocupação da equipe.
“Minha primeira preocupação é identificar a área onde se encontram os vestígios e verificar se essa região está devidamente isolada e preservada. Isso é fundamental para garantir que os elementos presentes no local sejam mantidos íntegros. ”
Com mais de 11 anos de atuação, Karla já trabalhou no Núcleo Regional de Criminalística de Corumbá e no Departamento de Apoio às Unidades Regionais antes de integrar a equipe responsável pelos atendimentos em Campo Grande.
Segundo ela, o trabalho no local exige atenção a todos os elementos presentes na cena, já que nem sempre é possível identificar de imediato quais terão relevância para a investigação.
“Em muitos casos há grande quantidade de elementos no local e naquele momento ainda não é possível identificar completamente o que é relevante. Por isso é essencial realizar um levantamento detalhado e minucioso”, explicou.
Parte do material coletado em locais de crime segue posteriormente para análises especializadas em diferentes áreas da perícia, como DNA, documentoscopia, balística e outras disciplinas técnicas realizadas em laboratórios da Polícia Científica por outras peritas e peritos criminais.
Exames médico-legais
Na medicina legal, os exames contribuem para esclarecer circunstâncias de diferentes ocorrências.
A perita médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini, que exerce atividades há três anos no Instituto de Medicina e Odontologia Legal e na Casa da Mulher Brasileira, destaca a importância da área na produção da prova técnica.
“O exame médico-legal traz clareza e materialidade sobre os fatos. Ele pode documentar casos de violência física, sexual ou ainda esclarecer a causa de óbitos violentos, como acidentes de trânsito ou homicídios.”
As conclusões são registradas em laudos técnicos elaborados a partir de evidências científicas.
“Um laudo tecnicamente fundamentado reúne todas as conclusões com base em evidências e respeitando o passo a passo pericial para que seja confiável”, afirmou.
Mesmo diante de situações difíceis, ela afirma que o foco permanece no rigor técnico.
“Quando comecei a trabalhar nessa área percebi que é impossível não se sentir incomodada com algumas situações de violência e vulnerabilidade humana. Mas tento me manter focada nas evidências e nos fatos concretos. ”
Digitais que revelam identidades
A papiloscopia também integra a produção da prova técnica. A perita papiloscopista Juliana Cardozo da Silva, que ingressou na instituição em 2015 e já atuou em plantões de local de crime em Dourados e em Campo Grande, explica que o trabalho vai além da emissão de documentos de identidade.
“Ele garante a existência civil da pessoa, assegura direitos e a situa perante a sociedade. É por meio dele que alguém passa a ter nome, registro, acesso a serviços e reconhecimento legal.”
No contexto criminal, a atuação também inclui o levantamento de impressões digitais em locais de crime, etapa que pode contribuir para a identificação de pessoas envolvidas nas ocorrências.
“Confirmar uma identidade pode inocentar alguém, esclarecer um crime ou permitir que uma família encerre um ciclo de dor. Por trás de cada impressão digital existe uma história”, afirmou.
De acordo com Juliana, a análise exige atenção rigorosa aos detalhes. Muitas vezes, os peritos trabalham com fragmentos muito pequenos de impressões digitais que precisam ser comparados com precisão.
“Observamos linhas, pontos característicos e pequenas bifurcações que são únicas em cada pessoa. É um trabalho que não permite pressa. ”
Assim como ocorre em outras perícias de local de crime, os vestígios coletados podem gerar desdobramentos para análises complementares em diferentes núcleos especializados de identificação.
Bastidores dos exames necroscópicos
Parte da atividade ocorre nos bastidores. A agente de Polícia Científica Romilda Fleitas, que atua há dez anos nos exames necroscópicos, acompanha diferentes etapas do procedimento.
“Quando o corpo chega aqui, a gente faz toda a recepção, confere a requisição, a cadeia de custódia e verifica se houve atendimento anterior em unidade de saúde ou pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Depois auxiliamos o médico-legista durante o exame e também ficamos responsáveis pela liberação do corpo para a funerária, sempre com autorização da família”, relatou.
Segundo ela, a rotina também envolve o contato com familiares em momentos delicados.
“Às vezes a família chega aqui em uma situação muito difícil e precisa entender que alguns exames são necessários. É um trabalho que exige responsabilidade e respeito com cada caso que chega até nós.”
Romilda afirma que cada função dentro do instituto contribui para o resultado final do trabalho técnico.
“Eu me vejo como uma peça dentro de uma engrenagem. Cada um faz a sua parte para que tudo funcione. ”
Do levantamento de vestígios no local de crime às análises laboratoriais, passando pela identificação e pelos exames médico-legais, essas profissionais participam de diferentes etapas da atividade pericial que contribui para o esclarecimento de fatos e para a produção de provas utilizadas pela Justiça.
Maria Ester Jardim Rossoni, Comunicação PCi-MS
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Como proteger idosos durante temporais e outras emergências climáticas
Especialista orienta a preparar a casa e a família para protegê-los em situações de emergência
Os temporais que atingiram Mato Grosso do Sul nos últimos dias deixaram ruas bloqueadas, árvores e postes derrubados, imóveis danificados e bairros inteiros sem energia elétrica. Em alguns pontos de Campo Grande, por exemplo, o fornecimento demorou mais de 36 horas para ser restabelecido, afetando diversas residências, muitas delas com moradores idosos.
Mato Grosso do Sul tem cerca de 391 mil pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 14,18% da população do Estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. O número ajuda a dimensionar a importância de um cuidado muitas vezes deixado de lado: preparar a casa e a família para situações de emergência provocadas por chuvas intensas, ventos fortes e interrupções prolongadas de serviços essenciais.
Para pessoas idosas, episódios desse tipo podem trazer dificuldades adicionais. Mobilidade reduzida, uso contínuo de medicamentos, dependência de equipamentos elétricos e limitações visuais ou auditivas podem tornar mais difícil reagir rapidamente a uma situação de risco.
Para Denis Corrêa, sócio e diretor comercial e estratégico da CoreHelp, instituição especializada na capacitação para atendimento de emergências, esse planejamento precisa começar antes que a tempestade chegue.
“Em uma emergência, não é o momento de descobrir quem vai ajudar o idoso, onde estão os medicamentos ou como ele poderá deixar a casa se isso for necessário. A família precisa pensar previamente nesses cenários e definir um plano simples, que todos conheçam e consigam executar”, orienta.
A atenção a esse público também está prevista no Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil 2025/2035, que estabelece que as estratégias de prevenção e resposta a desastres devem considerar prioritariamente pessoas idosas, pessoas com deficiência e aquelas com mobilidade reduzida.
O plano de resposta rápida doméstico
Denis chama esse conjunto de cuidados de plano de resposta rápida doméstico. A ideia é simples: deixar organizado, antes de qualquer problema, aquilo que a família vai precisar saber e fazer quando uma emergência acontecer. Não exige equipamentos caros nem conhecimento técnico, apenas conversa, organização e informação em lugar fácil de encontrar.
O primeiro passo é deixar os números de emergência visíveis para todos os moradores da casa, como na porta da geladeira, perto do telefone fixo ou na entrada do imóvel. Devem estar anotados o SAMU (192), a Polícia Militar (190), o Corpo de Bombeiros (193) e a Defesa Civil (199), além do telefone da companhia de energia. Também vale salvar esses contatos no celular do idoso e dos familiares mais próximos.
“Na hora do susto, muita gente esquece até o número mais conhecido. Quando a informação está escrita e à vista, qualquer pessoa da casa consegue pedir ajuda, inclusive uma criança ou uma visita”, explica Denis.
O plano também deve indicar quais hospitais da região estão preparados para atender casos de infarto e de AVC. Nessas situações, cada minuto faz diferença, e saber com antecedência para onde ir evita perda de tempo e deslocamentos desnecessários. O ideal é que a família confirme essas informações com o médico que acompanha o idoso ou com a rede de saúde do município.
Outro ponto importante é combinar qual familiar deve ser avisado primeiro em caso de emergência. Definir essa pessoa, e também uma segunda opção caso ela não atenda, evita ligações desencontradas e garante que alguém de confiança acompanhe a situação desde o início.
Por fim, a família precisa pensar em como sair rapidamente do imóvel, se for necessário. Isso inclui saber por qual porta sair, manter as chaves sempre no mesmo lugar, deixar corredores e passagens livres, ter uma lanterna de fácil acesso e combinar um ponto de encontro seguro fora da casa.
O que mais precisa estar previsto
Cada idoso tem necessidades próprias. Uma pessoa independente e com boa mobilidade terá demandas diferentes de alguém que precisa de ajuda para caminhar, usa cadeira de rodas, faz tratamento contínuo ou tem alguma condição que dificulte a comunicação ou a orientação.
A família deve definir quem poderá ajudar em uma eventual saída do imóvel, para onde o idoso será levado e como será feito esse deslocamento. Também é importante manter à mão informações sobre medicamentos, receitas, contatos de familiares, médicos e serviços de emergência.
Para quem usa medicamentos todos os dias, a recomendação é manter as receitas organizadas e acompanhar o estoque, principalmente quando houver previsão de temporais, já que sair de casa pode ficar difícil. Idosos que usam aparelhos auditivos também devem ter pilhas extras ou o carregador sempre abastecido, para não perderem a capacidade de ouvir alertas e orientações durante a emergência.
A falta de energia também merece atenção. Além de deixar a casa no escuro e aumentar o risco de quedas, uma interrupção longa pode afetar equipamentos usados nos cuidados com o idoso, a conservação de alguns medicamentos e até a comunicação com a família.
“É importante que a família saiba antecipadamente se existe algum equipamento que não pode ficar sem energia, quais são as alternativas disponíveis e para quem deve ligar. Improvisar durante o temporal aumenta muito a chance de uma decisão errada”, afirma Denis.
Nem sempre sair de casa é a primeira opção
Outra preocupação é evitar decisões apressadas. Retirar um idoso de casa durante uma chuva forte, sem que exista risco imediato no imóvel, pode expô-lo a outros perigos, como ruas alagadas, fios elétricos, árvores instáveis e quedas no caminho.
A decisão deve levar em conta as condições da casa, os alertas dos órgãos de emergência e, principalmente, a segurança do trajeto.
“Existe uma tendência natural de querer resolver tudo rapidamente, mas, em uma situação de emergência, a primeira análise deve ser sempre de segurança. Se há fios caídos, água subindo, estruturas comprometidas ou risco de queda de árvores, é preciso avaliar antes de colocar uma pessoa com mobilidade reduzida naquele ambiente”, explica o especialista.
Se for preciso deixar o imóvel, documentos pessoais, medicamentos, receitas, água e outros itens indispensáveis ao cuidado devem estar reunidos em uma bolsa ou mochila que possa ser levada rapidamente.
Também é importante que o plano não dependa de uma única pessoa. Familiares, cuidadores e vizinhos de confiança podem conhecer as necessidades daquele morador e saber como ajudar caso o responsável não consiga chegar.
Depois da chuva, os riscos continuam
O fim do temporal não significa o fim da emergência. Casas sem energia, pisos molhados, objetos fora do lugar, telhados danificados, galhos e fios espalhados pelo terreno podem criar novos riscos dentro e fora da residência.
Para idosos com dificuldade de equilíbrio, locomoção ou visão, pequenas mudanças no ambiente já aumentam a chance de quedas e outros acidentes.
Antes que o idoso volte a circular normalmente pela casa, a recomendação é verificar se há água no chão, objetos bloqueando a passagem, danos na estrutura ou qualquer alteração que dificulte a locomoção. Áreas próximas a fios, árvores caídas, postes e estruturas danificadas devem ser isoladas até a avaliação de profissionais.
Com essas medidas combinadas antes, a família reduz os improvisos justamente quando precisa decidir rápido. Um plano simples, com números de emergência à vista, hospitais de referência, contatos definidos, medicamentos organizados, rotas de saída e as necessidades específicas do idoso, torna a resposta mais segura antes, durante e depois de um temporal.
Mato Grosso do Sul
Inmet alerta para tempestades com ventos de até 90 km/h em MS; Energisa reforça orientações de segurança
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois alertas de tempestade para Mato Grosso do Sul, válidos a partir deste sábado (19), com instabilidade prevista até a segunda-feira (21). A previsão indica chuvas intensas, granizo, raios e ventos de até 90 km/h, afetando principalmente a região sul do estado.
Diante do risco de queda de árvores e lançamento de objetos sobre a fiação de energia, a Energisa-MS orienta a população a reforçar a segurança durante as tempestades:
- Distância de Segurança: Em caso de cabos rompidos, árvores ou objetos sobre a rede elétrica, mantenha distância e jamais tente mover o material, mesmo que a região pareça sem energia.
- Canais de Atendimento: Caso identifique ocorrências na rede, acione a concessionária imediatamente pelos meios oficiais:
- WhatsApp (Gisa): (67) 99980-0698
- Aplicativo: Energisa On
- Telefone: 0800 722 7272
-
Campo Grande7 dias atrásMaior parque inflável do mundo e arena de diversões dos Transformers chegam a Campo Grande neste fim de semana
-
Mato Grosso do Sul4 dias atrásSubiu para cinco o número de mortos em acidente com van da Saúde na BR-163
-
Água Clara4 dias atrásJovem confessa venda de drogas e é preso em flagrante em Água Clara
-
Campo Grande7 dias atrásEncontro de harmonização entre carnes e vinhos tem nova edição agendada em Campo Grande







