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Coluna – Marina Dias e o sonho paralímpico da paraescalada

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Os últimos 30 dias foram intensos para Marina Dias. A paulista de 39 anos, que nunca havia competido fora do país, participou de duas etapas da Copa do Mundo de paraescalada, sendo a primeira brasileira a disputar um torneio internacional da modalidade. A estreia, no fim de maio, veio com uma medalha de ouro em Salt Lake City (Estados Unidos). Na semana passada, em Innsbruck (Áustria), ela conquistou o bronze.

Marina Dias - paraescalada - esclerose múltipla Marina Dias - paraescalada - esclerose múltipla

Após descobrir a paraescalada em 2009, Marina Dias já coleciona duas medalhas em competições fora do país, a última delas indoor em Innsbruck (Áustria) – Slobodan Miskovic/Direitos Reservados

Para competir em Salt Lake City e Innsbruck, Marina teve licenças e inscrições pagas pela Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE) e obteve parte da verba de viagem por meio de um programa de amparo ao esporte amador da prefeitura de Taubaté (SP), onde vive. A outra parcela foi custeada com recursos próprios. Antes da ida à Áustria, ela chegou a fazer uma “vaquinha online” para auxílio nas despesas (passagem aérea, transporte terrestre, alimentação e estadia), avaliadas em quase R$ 16 mil, arrecadando cerca de R$ 3,5 mil.

Diferentemente da escalada, que entrou no programa olímpico nos Jogos de Tóquio (Japão) e foi mantida para Paris (França), em 2024, a paraescalada (ainda) não faz parte do movimento paralímpico, o que atrapalha a busca por suporte financeiro. A modalidade é cotada para ingressar na Paralimpíada somente a partir de 2028, em Los Angeles (Estados Unidos).

“Acho que a partir do momento que [a paraescalada] virar paralímpica, a gente terá mais visibilidade e suporte. Dependerá muito da quantidade de atletas que disputam o circuito mundial. Especialmente nos últimos [dois] anos, por causa da covid-19, não houve um número muito grande de atletas. Espero que isso seja levado em conta. A minha ida para as competições têm esse lado, também. Sei que, com mais atletas competindo, aumentam as chances da paraescalada se tornar uma modalidade paralímpica e contribui para a consolidação da escalada na Olimpíada”, afirmou Marina, à Agência Brasil.

Desde 2009, Marina tem o lado esquerdo do corpo afetado pela esclerose múltipla, uma doença degenerativa. Ela costumava correr, mas as dores a fizeram buscar outra atividade física e a levaram à escalada. A paixão foi imediata.

“Eu sei como pode ser difícil, às vezes, você criar coragem para ter uma vida ativa quando seu corpo não está obedecendo. Existem vários estudos que mostram que a prática de uma atividade física faz bem a pessoas com esclerose múltipla e tendem a diminuir a progressão da doença. Então, a escalada não é só um esporte, é um estilo de vida. A gente escala, treina no ginásio, mas também escala na natureza. Com a escalada, consigo ter esse estilo de vida mais saudável, que me leva a lugares lindos e fazem bem à saúde”, explicou.

Marina começou a competir em 2020, pouco antes da pandemia, passando a conciliar treinos mais intensos com o trabalho. Ela também é professora do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em São José dos Campos (SP), município vizinho a Taubaté.

“Eu trabalho [na universidade] o dia inteiro e só treino à noite, o que, se você comparar com um atleta profissional, não é suficiente. Se a escalada virar paralímpica, acho que terei que negociar uma redução de jornada, alguma coisa assim, para me dedicar mais aos treinos [risos]. Tenho bastante persistência, acho que é um ponto positivo para mim”, disse a paulista, que é doutora em Engenharia Química.

Marina Dias - paraescalada - medalha Áustria - esclerose múltipla Marina Dias - paraescalada - medalha Áustria - esclerose múltipla

“Com a escalada, consigo ter esse estilo de vida mais saudável, que me leva a lugares lindos e fazem bem à saúde”, revelou Marina Dias, com o bronze indoor em Innsbruck (Áustria) – Andrew Oliveira/Direitos Reservados

A participação em torneios nacionais credenciou Marina a representar o Brasil em competições fora do país. Além da oportunidade inédita de enfrentar rivais do exterior, ela teria o desafio de encarar paredes maiores do que as que estava acostumava a escalar. A do ginásio onde treina, por exemplo, tem nove metros, metade da altura que teve que subir em Salt Lake City.

“A gente quase não tem ginásios assim no Brasil, então treinei para ganhar resistência e conseguir chegar ao fim. Acredito que as atletas que enfrento estejam acostumadas a esse tipo de parede. Quando cheguei lá, procurei treinar em algum ginásio para, ao menos, por a mão nas agarras [peças fixas que escalador utiliza para subir], pois elas são diferentes das que estamos acostumados. A gente precisa saber onde ela é boa e terá segurança. No fim, acho que os preparativos deram certo e ganhei a medalha”, recordou.

A competição em Innsbruck foi a última de Marina em 2022. Ela ainda pretendia disputar a etapa de Villars (Suíça) da Copa do Mundo, em julho, aproveitando que estava na Europa, mas a questão financeira pesou. O calendário do ano que vem ainda não foi divulgado, mas o principal evento da paraescalada será o Campeonato Mundial, em Berna (Suiça), entre 1º e 12 de agosto. A paulista espera estar lá para, quem sabe, repetir o feito de Raphael Nishimura, atual presidente da ABEE e primeiro brasileiro a subir ao pódio na competição com a medalha de prata na edição de 2012, em Paris.

Modalidade

A paraescalada tem quatro classes, todas com subcategorias em que os atletas são distribuídos pelo grau da comorbidade – quanto menor o número, maior o comprometimento. A classe RP reúne escaladores com deficiências que impactam alcance e força e é dividida em RP1, RP2 e RP3 (na qual Marina compete). Na classe B (do inglês blind), estão os atletas com deficiência visual, que podem contar com o apoio de um guia (que os orienta por meio de um fone), separados em B1, B2 e B3. Já as classes AL e AU, respectivamente voltadas a esportistas com limitações nos membros inferiores e superiores, possuem duas subcategorias cada.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Fonte: EBC Esportes

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Copa do Brasil: Timão confia na virada contra Atlético-GO para avançar

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Eliminado da Copa Libertadores da América, derrotado na última rodada do Brasileirão pelo arquirrival Palmeiras e precisando de uma vantagem de três gols para avançar às semifinais da Copa do Brasil. Assim o Corinthians entra em campo contra o Atlético-GO, nesta quarta-feira (17), às 21h30 (horário de Brasília), na Neo Química Arena. O Dragão venceu o jogo de ida por 2 a 0 e pode até perder por um gol de desvantagem que se classifica. Se o Timão devolver a diferença de dois gols, vamos para a disputa de pênaltis.

A missão da equipe paulista é muito difícil, mas, mesmo pressionado, o técnico Vítor Pereira saiu de campo após a derrota para o Palmeiras confiante no futebol corintiano e na virada.

“Nós temos que criar situações de gols e fazer gols. Não podemos ficar em branco como ficamos hoje (contra o Palmeiras). Com a mesma determinação, com a mesma coragem com que jogamos, será a motivação, a força como vamos encarar o jogo, sabendo que temos que marcar gols e não permitir gol nenhum. Sinceramente, eu acredito que vamos dar uma boa resposta”.

Do outro lado, Jorginho não quer deixar o rendimento do Atlético-GO cair. O técnico sabe que, apesar da vantagem conquistada no jogo de ida, a classificação ainda não está garantida.

“O mais importante é que a gente entre entendendo o jogo, o quanto será difícil. É um jogo não só contra uma equipe mas muita qualidade técnica, mas também um jogo que se torna uma guerra. A gente tem que ir para os confrontos muito bem preparado, ganhar os confrontos, as divididas, a gente não ser apenas uma equipe organizada, ousada, mas também uma equipe corajosa. Acho que jogando dessa forma a gente tem possibilidade de passar dessa fase”.

Quem passar do confronto entre Corinthians e Atlético-GO enfrenta Fluminense ou Fortaleza na semifinal. O tricolor carioca venceu a partida de ida por 1 a 0, no Castelão (CE).  

Ouça na Rádio Nacional

Fonte: EBC Esportes

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Arrascaeta e Gabigol são absolvidos no STJD e podem jogar contra o Athletico-PR

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Gabigol e Arrascaeta estão liberados para atuar em Athletico-PR x Flamengo, no jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil, na próxima quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), em Curitiba. A dupla foi absolvida da denúncia no STJD, em julgamento nesta terça-feira, no Rio, por lances na partida de ida, que terminou empatada sem gols no Maracanã.

O relator do caso, Washington Rodrigues, votou pela absolvição da dupla, mesmo entendimento que teve o presidente da comissão, Carlos Eduardo Cardoso. Já os auditores Iuri Engel e Marcelo Vieira optaram por não reconhecer a denúncia.

O julgamento

Os flamenguistas foram denunciados pela procuradoria do órgão com base nos artigos 254-A e 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Gabigol foi enquadrado em prática de agressão, enquanto Arrascaeta foi acusado de jogada violenta.

Os lances aconteceram no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, no Maracanã, no último dia 27 de julho, no Maracanã, no 0 a 0 entre Flamengo e Athletico. Gabigol recebeu cartão amarelo pela pancada em Fernandinho, assim como Arrascaeta pelo carrinho em Erick.

Do lado da procuradoria, Marcos Souto Maior defendeu interferência do tribunal para corrigir os erros de arbitragem da partida. Já o advogado rubro-negro, Michel Assef Filho, lembrou que os casos foram flagrados e analisados tanto pelo árbitro da partida quanto pelo árbitro de vídeo.

O julgamento ganhou tom decisivo porque aconteceu na véspera do jogo de volta entre as equipes, que decidem na próxima quarta-feira uma das vagas nas semifinais da Copa do Brasil. Em caso de punição, a dupla ficaria fora da partida.

Os votos

O relator Washington Rodrigues votou pela absolvição da dupla:

– Já trouxe um voto pronto, porque para mim a discussão é maior. Nós éramos censores do árbitro de campo. Agora o VAR tem essa missão de analisar um lance que escapou. E nós viramos o quê? O VAR do VAR? Por essas razões, eu recebo a denúncia, mas no mérito julgo improcedente e absolvo os atletas.

O auditor Iuri Engel votou por não conhecer a denúncia:

– No próprio jogo em questão temos lances em que o Flamengo poderia ter reclamado das decisões do juiz. Acho um perigo abrir esse precedente. Por essas razões, meu voto é pelo não conhecimento da denúncia – declarou.

O auditor Marcelo Vieira votou por não conhecer a denúncia:

Fonte: Agência Esporte

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