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Recomeçar: O Que Levar e o Que Deixar
Recomeçar, especialmente após o término de um relacionamento, é um desafio que pode assustar, mas também é uma oportunidade valiosa de crescimento e transformação. É um convite para olhar para dentro, para aprender com o passado e decidir o que realmente merece ser carregado adiante — e o que deve ficar para trás.
Quando um ciclo chega ao fim, é natural sentir uma mistura de emoções: tristeza, medo, alívio, esperança. Essas sensações fazem parte do processo de reconstrução, que é único para cada pessoa. Recomeçar não significa apagar tudo, mas sim fazer uma seleção cuidadosa do que é saudável e construtivo.
O que levar na bagagem desse recomeço?
Antes de tudo, leve o aprendizado. Cada relacionamento, seja ele longo ou breve, deixou ensinamentos importantes sobre quem você é, sobre suas necessidades, limites e desejos. Levar esse autoconhecimento é fundamental para não repetir padrões nocivos e para se abrir para novas possibilidades.
Leve também a capacidade de amar, que não se perde com o fim de uma história. Ela pode ser renovada, redirecionada e ampliada. Acredite: o coração tem uma incrível capacidade de se regenerar e de se preparar para novos encontros.
A coragem é outro item essencial. Recomeçar exige força para sair da zona de conforto, para enfrentar o desconhecido, para reavaliar prioridades e para se reinventar. Leve consigo essa coragem, mesmo que às vezes ela pareça pequena ou vacilante.
Além disso, carregue a gratidão — não importa como tenha sido o relacionamento, sempre há algo pelo que agradecer. Gratidão pelas experiências, pelos momentos compartilhados, pelo crescimento pessoal que veio junto com a história.
Por outro lado, o que é importante deixar para trás?
Deixe as mágoas profundas, os ressentimentos que corroem por dentro e impedem a cura. Guardar raiva ou culpa é um peso desnecessário que dificulta a construção de um futuro leve e feliz.
Deixe os medos paralisantes — medo da solidão, do fracasso, do desconhecido. Eles podem ser obstáculos que te impedem de avançar. Reconheça-os, mas não permita que dominem suas decisões.
Deixe também as expectativas irreais, tanto sobre você quanto sobre os outros. A idealização pode criar frustrações e dificultar o encontro com a realidade.
Por fim, deixe o que não serve mais à sua felicidade. Isso inclui relações tóxicas, hábitos prejudiciais, crenças limitantes e tudo o que já não faz sentido na sua vida.
Recomeçar é, acima de tudo, um ato de amor-próprio. É a chance de escolher o que te faz bem, de estabelecer novos limites, de construir um caminho mais alinhado com seus valores e sonhos. casamento
É natural sentir insegurança no início, mas lembre-se: cada passo dado é uma vitória. Permita-se tempo para se conhecer melhor, para curar as feridas, para se fortalecer.
Recomeçar não é apagar o passado, mas escrever um novo capítulo — com mais sabedoria, mais leveza e mais esperança.
E, sobretudo, é confiar que a vida tem muitos caminhos possíveis, e que você pode escolher trilhar aquele que faz seu coração vibrar de verdade.
Fonte: Izabelly Mendes
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O corpo fala: 4 sinais que indicam se a mulher está interessada em você
A comunicação vai muito além das palavras. Expressões faciais, postura e pequenos movimentos do corpo podem transmitir emoções, conforto e até indicar interesse durante uma interação. Embora nenhum gesto isolado seja capaz de confirmar o que alguém está sentindo, observar o conjunto dos sinais pode ajudar a compreender melhor a dinâmica de uma conversa.
Segundo Mari Vabo, bióloga, pesquisadora do comportamento humano e autora do livro Best-Seller: O Guia do Instinto Primitivo, a linguagem corporal oferece pistas importantes sobre o nível de conforto e envolvimento entre duas pessoas.
“Biologicamente falando, o nosso corpo reage de forma automática a diferentes emoções. Quando existe interesse ou atração, algumas respostas fisiológicas podem surgir naturalmente, mas elas sempre devem ser interpretadas dentro do contexto e nunca como uma regra absoluta”, explica.
A especialista destaca quatro comportamentos que costumam aparecer durante interações em que há interesse.
- Movimentos frequentes nos lábios
Passar a língua nos lábios ou umedecê-los repetidamente pode estar relacionado a alterações fisiológicas provocadas pela excitação emocional. “Situações que despertam interesse podem aumentar a liberação de adrenalina, deixando a boca mais seca e levando a pessoa a hidratar os lábios involuntariamente”, afirma Mari Vabo.
- Pupilas dilatadas
Outro sinal bastante estudado pela ciência é a dilatação das pupilas. Segundo a pesquisadora, essa resposta pode ocorrer quando alguém está diante de algo ou de alguém que desperta interesse, desde que fatores como iluminação também sejam considerados.
“As pupilas podem se dilatar por diversos motivos, incluindo a atração. É uma resposta involuntária do organismo, mas não deve ser analisada isoladamente”, ressalta.
- Inclinação do corpo durante a conversa
A postura também comunica. Quando uma pessoa inclina naturalmente o tronco em direção ao interlocutor, isso pode indicar atenção, abertura e interesse na interação.
“Costumamos nos aproximar fisicamente daquilo que nos desperta curiosidade ou prazer. Da mesma forma, uma postura mais fechada, como permanecer o tempo todo de braços cruzados, pode demonstrar resistência ou necessidade de manter certa distância”, explica.
- A direção dos pés também comunica
Pouca gente percebe, mas os pés também fazem parte da comunicação não verbal. De acordo com Mari, quando eles permanecem apontados para o interlocutor, isso pode indicar conforto e disposição para permanecer na conversa.
“Já quando os pés ficam constantemente voltados para outra direção, principalmente para uma saída, isso pode indicar que a pessoa deseja encerrar a interação. É um detalhe sutil, mas bastante observado nos estudos sobre linguagem corporal.”
Nenhum sinal deve ser interpretado sozinho
Apesar dessas pistas, Mari reforça que a linguagem corporal não funciona como uma fórmula para identificar o interesse romântico de alguém.
“O comportamento humano é complexo. Um único gesto nunca confirma sentimentos ou intenções. O ideal é observar o contexto, a repetição dos comportamentos e, principalmente, respeitar a comunicação verbal e os limites da outra pessoa. A linguagem corporal complementa a conversa, mas não substitui o diálogo”, conclui.
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Órfãos do Feminicídio: uma triste evidência da violência contra as famílias
O feminicídio, assassinato de uma mulher pela simples questão de gênero, é, por si só, uma situação de extrema violência. No entanto, alguns dos impactos desse crime não são tão evidentes ou imediatamente percebidos. Trata-se dos filhos que perderam suas mães ou responsáveis legais: os órfãos do feminicídio.
No Brasil, eles representam uma trágica consequência de um problema estrutural e urgente. Pesquisas recentes demonstram uma escalada recorde na violência. Segundo o “Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025”, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem/UEL), o país registrou 2.149 assassinatos de mulheres por razão de gênero no ano passado, o que representa uma média de quase seis mortes por dia. Este número, que supera os dados oficiais, revela a dimensão da subnotificação e do problema.
Estima-se que essa violência deixe um rastro devastador, gerando em média quatro novos órfãos por dia no país, como apontou um levantamento do Lesfem no primeiro semestre de 2025. Muitas dessas crianças enfrentam não apenas a perda irreparável de suas mães, mas também a ausência do pai, que frequentemente é o autor do crime e acaba preso ou comete suicídio, configurando um duplo abandono.
A identificação dos autores dos crimes em 2025 retrata uma realidade ainda mais devastadora, concentrada no círculo íntimo da vítima. A análise dos casos mostra que o agressor é: o parceiro íntimo em 46,28% dos casos, e o ex-parceiro íntimo em 33,15% dos casos. Somados, esses homens são responsáveis por quase 80% dos feminicídios, reforçando que o lar, que deveria ser um local de segurança, é onde a maioria das mulheres é assassinada.
Essa violência tem características de intimidade com a vítima. Assim, esses órfãos perdem a mãe e veem o pai ser encaminhado ao sistema prisional, ficando sob os cuidados de avós ou outros familiares, que muitas vezes não possuem recursos financeiros ou apoio psicológico adequados. Quando não há familiares capazes de assumir essa responsabilidade, as crianças são encaminhadas para abrigos públicos, onde convivem com outras vítimas de diferentes formas de violência.
As consequências psicológicas são graves. Estudos indicam que essas crianças podem desenvolver transtornos como estresse pós-traumático, além de dificuldades emocionais e comportamentais que afetam seu desenvolvimento. Ademais, o luto complexo e as carências f inanceiras agravam ainda mais a situação dessas famílias.
Embora o Brasil tenha avançado com a Lei nº 14.717/2023, que instituiu uma pensão especial para órfãos de feminicídio, o suporte ainda é limitado. O benefício, equivalente a um salário mínimo, é destinado a famílias com renda per capita inferior a ¼ do salário-mínimo, mas enfrenta desafios de implementação, como subnotificação de casos e falta de infraestrutura para atendimento às famílias em regiões remotas.
Políticas públicas adicionais são essenciais para oferecer acolhimento e suporte a esses órfãos, incluindo assistência psicológica especializada, transferência de renda para os responsáveis e acesso facilitado à educação.
As vulnerabilidades desses órfãos são agravadas pela falta de estrutura nos abrigos públicos, pela violência institucional nesses estabelecimentos e pelo descompromisso do Poder Público em acompanhar essas crianças e adolescentes de forma especializada. Privados dos laços familiares em virtude da violência e sem políticas públicas efetivas, eles ficam ainda mais expostos à falta de perspectivas de vida.
É fundamental que o Estado adote providências mais eficazes no acompanhamento dessas vítimas indiretas do feminicídio no Brasil. Infelizmente, os números não indicam uma redução desse tipo de violência; pelo contrário, há um crescimento preocupante. É urgente que medidas concretas sejam tomadas para romper esse ciclo de sofrimento e abandono.
* Aline Casado, advogada e professora de Direito na UniCesumar de Maringá.
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